Teoria de resposta ao item: como a TRI afeta sua nota do Enem?

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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um dos principais caminhos para entrar na graduação, além de ser utilizado em processos seletivos para bolsas de estudo e financiamentos estudantis que podem ser decisivos na permanência no ensino superior. Então, nem precisamos falar que um bom resultado no Enem faz muita diferença, não é?

Para quem vai prestar o Exame e está em busca de uma boa nota, é interessante entender a Teoria de Resposta ao Item (TRI), o famoso sistema “antichute” por trás das correções. Neste post, explicaremos tudo sobre a TRI, além e dar dicas de preparação para o Enem que podem garantir um bom resultado nas provas. Confira!

Entenda o que é a TRI — o sistema “antichute” do Enem

A Teoria de Resposta ao Item (TRI) é uma inovação do Enem que veio para substituir a Teoria Clássica dos Testes (TCT), ou seja, o sistema tradicional de correção em provas de múltipla escolha: aqui, cada acerto equivale a alguns pontos a mais na nota.

Já na TRI, o conceito-chave é a coerência pedagógica. Para tanto, as questões têm diferentes níveis de dificuldade — fácil, médio e difícil —, sendo que os estudantes não têm acesso a essas classificações. Na prática, o que vale mais é a coerência dos acertos, e não a quantidade.

Saiba como é calculada a nota do Enem

Agora que você sabe qual é o princípio básico da TRI, valer a pena conhecer o cálculo da nota. É bem tranquilo: seu resultado é obtido a partir da média simples dos pontos das 4 provas objetivas — cada uma com 45 questões de múltipla escolha — e da redação do Enem.

Cada prova pode ter uma pontuação máxima de 1.000 pontos, mas dificilmente chegam a tanto. Veja só qual foi a média dos estudantes brasileiros no Enem 2019, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep) divulgados pelo G1:

  • Linguagens, Códigos e suas tecnologias — média de 520.9, com nota mínima de 322.0 e máxima de 801.7;
  • Matemática e suas tecnologias — média de 523.1, com nota mínima de 359.0 e máxima de 985.5;
  • Ciências Humanas e suas tecnologias — média de 508.0, com nota mínima de 315.9 e máxima de 835.1;
  • Ciências da Natureza e suas tecnologias — média de 477.8, com nota mínima de 327.9 e máxima de 860.9;
  • Redação — média de 592.9, sendo que apenas 53 candidatos do Brasil alcançaram a nota 1.000.

Para chegar à sua nota do Enem, basta somar os resultados de cada prova, mais a redação, e dividir o total por 5. Por exemplo, no caso de um estudante que tirou a pontuação média em todas as provas de 2019 e alcançou 800 pontos na redação, a nota geral do Enem foi de 571,96 — um resultado suficiente para muitas notas de corte.

Conheça os parâmetros da TRI

Com a TRI, não necessariamente o número de acertos é proporcional à nota. Esse método estatístico consegue diminuir as chances de que o candidato tenha uma boa nota a partir de chutes, já que é capaz de identificar incoerências e, assim, atribuir notas mais justas. Veja um exemplo:

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Imagine que, de 9 questões, 3 de cada nível de dificuldade, você acertou as 3 fáceis, 1 média e nenhuma difícil. Por ser mais coerente, seu desempenho pode render mais pontos do que o de um estudante que acertou todas as questões difíceis e nenhuma fácil.

A lógica é simples: se alguém pode resolver e acertar as questões mais difíceis, por que erraria as mais fáceis? A TRI identifica, nesse tipo de situação, uma tendência de que os acertos tenham sido mero acaso, ou seja, frutos de “chutes”. Assim, a nota do candidato é reduzida.

Ou seja, os estudantes que alcançam os melhores resultados são aqueles que, estatisticamente, têm uma evolução mais regular e coerente ao longo da prova. Assim, é praticamente impossível saber qual é a sua nota do Enem por conta própria, antes da divulgação dos resultados — o sistema utiliza cálculos estatísticos bastante complexos.

Descubra como se preparar para o Enem

Como você viu, não adianta “chutar” no Enem de forma aleatória, já que a TRI pode pegar essas inconsistências e levar sua nota lá para baixo. Para não comprometer seu resultado, anote aí algumas dicas e leve-as em conta na sua rotina de estudos e no dia da prova:

  • foque as questões mais fáceis para você — deixe as perguntas mais complicadas para responder depois, caso encontre dificuldade nelas. Afinal, vale mais a pena acumular acertos nas questões fáceis e médias;
  • chute com coerência — se você não sabe a resposta, em vez de marcar qualquer alternativa sem nenhum critério, escolha aquela que faz mais sentido, já que a TRI também consegue identificar consistência na escolha das alternativas, mesmo que não sejam as corretas;
  • revise suas respostas — no dia da prova, programe seu tempo de forma que, antes de passar as respostas ao gabarito, você consiga revisá-las para não correr o risco de errar questões fáceis por falta de atenção ou confusão com o enunciado;
  • capriche na redação — a redação tem um peso grande na nota geral, já que, sozinha, equivale à nota de um caderno de questões inteiro! Por isso, capriche para alcançar uma boa pontuação.

Mas calma! Não precisa ter medo da redação do Enem, basta preparar-se para ela! A dica é estudar a estrutura da tipologia textual dissertativa-argumentativa e treinar bastante. Você pode usar as propostas das edições anteriores para isso. O melhor jeito de melhorar a escrita é escrevendo muito!

Além disso, vale a pena ficar por dentro de notícias do Brasil e do mundo. Embora a proposta de redação não seja divulgada antes da prova, o Enem tem um padrão: todos os temas tratam de assuntos relevantes para a sociedade brasileira e que estão em alta. Sem contar que as provas de conhecimentos objetivos também cobram atualidades.

Pronto! Agora que você conhece a Teoria de Resposta ao Item, sabe que é melhor se preparar do que tentar a sorte nesta prova tão importante. E saiba que é possível estudar para o Enem no meio do ano! Basta se planejar, revisar os principais tópicos de cada área e montar uma rotina consistente de estudos.

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